domingo, 9 de setembro de 2018

em fim de semana

habitualmente ao fim de semana procuro ficar algo distante das máquinas, das tecnologias e dos afazeres dos restantes dias da semana; é mesmo uma pausa, um refazer e restabelecer;

no decorrer da semana quero escrever pouco, ideias curtas, ainda assim têm sido algo extensas para o pensado inicialmente;
no fim de semana, porque é fim de semana, permito-me escrever algo mais, quem tiver pachorra lê (reconheço que as tecnologias são fluídas, requerem tempos e ações curtas), quem não tiver, folheia;

escrevo sobre a idade, como me tem alterado;

em tempos gostava de participar numa boa conversa
(ia escrever discussão, mas sei que pode ser entendido em sentido depreciativo e não é isso que pretendo - ainda gosto de uma boa conversa, mesmo e particularmente com pessoas diferentes, mas agora escolho com quem converso e quem escuto);
gostava de trocar ideias sobre as opções de escola, as metodologias de trabalho; quem me conhece sabe como é verdade e como gosto de ir ao encontro das conversas;

afinal porque é uns aprendem e outros não? porque é que a escola e as disciplinas que deviam despertar interesse e curiosidade, provocam desinteresse, aborrecimento, alheamento? porque é que a escola e os saberes escolares, que permitem melhorar as condições de vida, trazer e criar outras oportunidades, pelo menos diferentes das que existem, conduzem ao deixa andar, ao arrastar de mochilas e cadernos, ao desapego ao trabalho escolar? Porquê?
há todas e outras tantas explicações - cada um dá a sua, o certo é que persistem alunos desinteressados, alheados, indiferentes, a ficar para trás, a reprovar, porquê?

eram e continuam a ser questões que me despertam a curiosidade, me aguçam o interesse e me provocam no sentido de tentar identificar formas de envolver, implicar e interessar o aluno;

a ação pedagógica tem uma coisa que poucos, hoje em dia, gostam ou simpatizam e com o qual os professores sempre tiveram dificuldades em lidar, o tempo; e é este tempo que se torna essencial na gestão do envolvimento do aluno, nas suas diferentes formas de implicação com a escola; e, de igual modo, a sentir o resultado da ação pedagógica (dos professores);
hoje querem-se resultados imediatos; situação que dificulta o envolvimento com a escola e, em particular, com a educação; mas é com este tempo que temos de lidar e gerir;

há que dar tempo ao tempo; mas dar tempo ao tempo não é persistir em modos que reproduzem a desigualdade, que acentuam diferenças ou que cavam obstáculos, criando formas de segregação ou exclusão; dar tempo ao tempo é perceber de onde vimos, onde estamos e para onde e como e com quem vamos;

é o papel da história, sem julgar ou criar juízos, mas saber avaliar o tempo decorrido; é saber ouvir, dialogar, perceber diferentes sentidos e alternativas; é perceber que não existe apenas UM caminho e menos ainda UMA verdade e que uns e outros mudam consoante o tempo;

por incrível que possa parecer, esta uma das minhas aprendizagens com a idade;

(sobre estratégias e técnicas de envolver o aluno, um texto, já com algum tempo, mas que permanece oportuno)

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