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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

questões de trabalho




como trabalho com base em metodologia de projeto o meu grande e maior desafio consiste, a maior parte das vezes, em criar questões de trabalho;

uma questão (questão de orientação ou driving question) tem de ser acessível e compreensível aos alunos; tem de ter dificuldade q.b. para não complicar nem desmobilizar o aluno, mas tem de ser desafiante o suficiente para que o aluno invista nela;

é uma carga de trabalhos;

tinha as coisas orientadas e preparadas para as turmas, nomeadamente de 9º ano quando dou com a capa do público de hoje, vá de refazer a questão e de reorientar a proposta de trabalho;

Pedi para responder à questão à luz da matéria em estudo (crises, democracias e ditaduras nos anos 30 do século passado);

aguardo para perceber se demasiadamente complexa ou se apenas complicada;

sábado, 5 de janeiro de 2019

coisas de fim de semana

podia ser um pouco mais extensa, a escrita, porque em fim de semana;

mas também pode ser mais dura, mais profunda, também porque de fim de semana;

ontem, em reunião de pais e encarregados de educação, sou confrontado com a (quase) simpatia de uma das reguilas da turma;

perguntei porquê, o que se tinha passado, para estat tão simpática em final de tarde, ao que me respondeu que lhe tinha falecido um tio;

nos tempos que correm, em que tudo é (quase perfeito) onde toda a realidade é descartável e fluída, como lidar com a morte perante uma criança? Como se trabalha a memória do futuro que não se irá ter, a companhia, as saudades?

A morte traz quase sempre os lugares comuns, que a vida continua, que temos de ir em frente, são sempre palavras e frases ouvidas, mas o que fazer com elas, como lidar com os sentimentos de perda? Como ajudar uma criança a gerir a surpresa do desaparecimento de quem não era suposto desaparecer?

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

das avaliações

prepara a reunião com os encarregados de educação da minha direção de turma; fico assim a modos que, que posso eu dizer a quem, o/a filho/a, teve 7 ou 8 níveis dois?

costumo dizer duas coisas, quem tem uma, ou duas, ou mesmo três níveis dois aceito, fará parte da mudança de ano, da alteração de professores e de estratégias, da adaptação a novas lógicas;

agora quem tem mais de quatro ou cinco níveis dois não é por dificuldade, é por opção, são gritos (mudos, surdos) que um jovem dá para que se olhe para ele, ele ou ela que não querem ser olhados, mas manifestam-se pela indiferença a tudo e a todos que se repercute na pauta;

a escola do meio

um artigo (deveras interessante, digo eu) dá conta das dificuldades de trabalhar (e ensinar) aos alunos que estão no meio, isto é, e no caso português, no terceiro ciclo;

no primeiro ciclo o pessoal tem curiosidade, gosto, vontade de aprender, situação que, apesar de esmorecer um pouco, resiste no 2º ciclo, ao controlo adulto;

no secundário em princípio o pessoal escolheu, está orientado e, presumivelmente, enquadrado numa área temática que, pretensamente, lhe interessa;

agora quem está no terceiro ciclo é o diabo; não quer e não gosta e tem raiva de quem ousa tentar ensinar; é uma carga de trabalhos;

não há estratégia que resulte, não há motivação que entre, não há pretexto que convença;

mas lá estamos a dar o melhor para que o pessoal cresça e passe à etapa seguinte;

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

elogiar

quem ainda não se deparou com aqueles miúdos reguilas, por vezes e ao início, engraçados mas que, com o tempo, se tornam irritantes, perturbadores?

quem ainda não teve de negociar comportamentos, atitudes, disposições em sala de aula daqueles alunos desinteressados, alheados, indiferentes, por vezes repetentes?

acreditem que vale muito mais e é muito mais eficaz criar alguma empatia, elogiar em vez de reprimir,

um elogio faz mais que muitas pretensas palmadas; é ver o sorriso a abrir-se, a confiança a instalar-se, perceber que, afinal, não é só fel, também há mel

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Foco e colaboração

Quando se passa a trabalhar por projeto registo duas dificuldades.

Gerir a liberdade e a autonomia; o aluno não está habituado a estar por si, está habituado a ter orientação, pastor, guia, orientador. A liberdade também se aprende.

Foco. O aluno, por uma questão de dificuldade de gerir a sua liberdade, dispersa-se, não cria um foco e tanto vai numa direção como no seu contrário, vai num sentido, como o altera repentinamente.

Os primeiros trabalhos servem para ajudar e apoiar o aluno a aprender a gerir a sua liberdade e a criar o seu foco.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Início dos trabalhos

Sinto dificuldades em criar uma comunidade de aprendizagem (também reconheço que não tenho feito grandes esforços nesse sentido);

mas dei início, com alguns grupos, ao trabalho de projeto;

por enquanto ainda a título de exemplo, a criar passagens, mais ou menos suaves, entre a teoria que tenho apregoado e a prática que se irá, progressivamente, aprofundando;

dou conta da boa receptividade por parte da grande maioria dos alunos; de outros, que não recebem tão bem, dou nota da expectativa, do benefício da dúvida que é concedido;

primeiros momentos... gosto

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Individualismo

Ouço falar (e reconheço-me nas palavras)  sobre o novo diploma da educação inclusiva.
Duas questões:
O diploma é um princípio de orientação de práticas (que sem mudarem ideias, dificilmente mudarão práticas, concepções);
O diploma remete para dimensões colaborativas que, na maior parte das escolas, assenta em reuniões, grelhas e horas extras;
Precisamos de ajudar a mudar ideias e concepções sobre a prática docente de modo a que possamos organizar outras estratégias, outras metodologias, outras dinâmicas.
Reconheço-me integralmente no diploma, mas, porque estou em casa nova, porque não conheço nem me reconhecem, persiste o individualismo, o professor sozinho em sala de aula, a compreensão tácita que é assim e pronto...

terça-feira, 25 de setembro de 2018

surpresas

tenho andado em apresentações;
ao contrário de outros, considero que a apresentação é essencial, um momento dos mais importantes do ano letivo;
é neste momento que criamos expectativas, que nos damos a conhecer ao que vimos e o que somos;
algumas das imagens/ideias mais fortes são definidas neste momento;
e, reconheço, a surpresa de muitos, senão de quase todos, os alunos quando digo que venho para aprender;
votos para que eles, os alunos, tenham paciência comigo e me saibam ensinar;

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Perguntas de apresentação

Finalmente conheci os novos grupos/turma 😃
Na apresentação era meu hábito deixar a questão, quem em perguntas a fazer?
Raramente apareciam questões, dúvidas, perguntas (o que considero normal, uma vez que o desconhecimento é mútuo);
Hoje, no final da apresentação, coloquei a questão de outra forma, coloquem duas perguntas;
E deu resultado,

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

crescer

gosto de olhar para as coisas, sejam elas acontecimentos, notícias ou o que quer que seja e transpor para a área da educação, afinal, a minha área de trabalho;
esta notícia dá conta de uma situação que é patente na escola e, de certa forma, alimentada pela escola; a dificuldade de crescer;
crescer implica, entre outras coisas, assumir responsabilidades, saber decidir e escolher,
apesar de muitos dizerem que a escola ajuda a isso mesmo, o mais das vezes a escola ajuda e ensina a reproduzir, a obedecer, a estar na norma e a cumprir a regra, a ser obediente e passivo;
se isso valeu em tempos para crescer, hoje dificilmente o permite, dando conta que falta, na escola, espaço para a autonomia individual;
resultado, a escola prolonga a infantilização do adolescente, a sua falta de autonomia (e de responsabilidade), o trabalho escolar torna-se lúdico e, por vezes, sem sentido, despropositado, desligado de futuros;
solução?
alterar metodologias de trabalho e de relação com o aluno,
fazer do aluno um parceiro e sujeito de aprendizagem e não mero objeto;
saber negociar e não impor situações;

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

envolvimento e implicação

um dos grandes desafios da escola no presente passa por envolver e implicar o aluno no trabalho escolar;
começo pela questão, se a escola é sobre o futuro de cada um e de todos, se há conteúdos deveras interessantes e pais preocupados, se há cada vez mais diversidade de estratégias e de metodologias de trabalho em sala de aula, porque é que os alunos não se envolvem na escola? Porque é que tudo, para o aluno, é, na generalidade dos casos, uma seca?
Esta foi uma das razões que me levou a optar por trabalhar com base na metodologia de projeto;
mas, como não há soluções, há que diversificar estratégias;
aqui ficam umas quantas, para o princípio e para o final da aula; sabendo-se sempre que certamente variação de acordo com todas as variáveis existentes, mas há que experimentar...

perguntas

tradicional e habitualmente a escola está preparada para que o aluno dê respostas;
responda ao que o professor pergunta, ao que sai no teste, ao que é esperado...
agora inverter esta regra é essencial,
ajudar o aluno a fazer perguntas, assegurando a sua curiosidade, orientado o seu questionamento é fundamental;
ora aqui ficam um conjunto de estratégias para perguntar de quem percebe da coisa;
uma boa questão pode dar proveito para muitas e muitas aulas;

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

a propósito do incêndio no Palácio do Rio de Janeiro, uma aluna, que irá frequentar o 9º ano, enviou-me este desabafo:

Pois bem que ainda fazemos algo, mesmo que nada produtivo, mas fazemos algo. Quer dizer eram 5 da manhã de hoje e estava no Twitter. A fazer o quê? Absolutamente nada de interessante, bom, digamos até à notícia de que o Museu Nacional do RJ se evaporar (hipoteticamente falando) em cinzas. Não me pude lembrar de mais ninguém a não ser o professor de História. Quem mais haveria eu de relembrar? Nem sei se será meu professor este ano, mas continua, de facto, a ser uma das pessoas mais admiradoras e apaixonadas pela história que alguma vez tive contacto.
É de facto uma das maiores perdas seja para o Brasil, para nós, antigos colonizadores ou até mesmo o resto do mundo.
Saber que Luzia sobreviveu a nada mais nada menos de que 11-12 mil anos à natureza e nem 0.05% desse tempo conseguiu aguentar com os conterrâneos humanos do séc XXI. Documentos assinados por D. Leopoldina quase 200 trágicos anos antes.
É desolador. Mas da história se aprende a não errar, e creio que este infeliz capítulo das áreas de ciência, história, arqueologia, etc foi uma forma de avisar que a cultura deve e tem de ser preservada. Lamentamos às futuras gerações (eu incluída) a infelicidade de não poder trabalhar com tamanho acervo (20 milhões de objetos).
Jaz aqui mais um capitulo de tragédia que tende a repetir-se na cabeça dos ignorantes.
Obrigada por ouvir tais palavras (não tenho ninguém que possa partilhar, como sei que o professor partilha, tal opinião).
Obrigada professor, e bom ano letivo. Não deixaremos a cultura pairar pela ignorância, bem haja.
Maria do Carmo Silva

e digam que a juventude anda perdida...